domingo, 30 de junho de 2013

Os Incômodos da Vida

Foto de Letícia Ishy
Ouvi um barulho, olhei pela janela, acabara de entrar um inseto com seu zumbido irritante. Sob meus pés o pó, a seca castiga, aprisiona a chuva. Em minha frente, uma pia repleta de louças sujas. Lá fora há tarefas, aqui dentro também. O carro e seus problemas, a carteira vazia e o cultivo de olheiras em minha face. Unhas por fazer, erros para não errar. A pressão desta vida parece querer arruinar-me!
Abri uma fresta na janela da mente e permiti entrar uma brisa refrescante que paira pelo céu nublado. Oh, que refrigério! Fechei as portas para diminuir os ruídos que de lá ecoavam, gritando tudo o que incomoda nessa vida. Abri os olhos e escancarei as janelas já ligeiramente abertas. Deparei-me com lindas flores e uma diversidade de sabores na horta e pomar. Nem me dei conta que era o mesmo lugar ao qual me referi na primeira cena. O cachorro latiu e aquele som pareceu-me melodioso; lavei os pés e os calcei em chinelos limpos, deixei a louça para mais tarde e desejei ver mais de Deus em Sua criação ao meu redor.
Olhei-me no espelho e percebi em meus olhos ainda resquícios da visão embaçada que deturpava o belo de Deus. Encarei a realidade como uma oportunidade, cresci num salto de empolgação, desejei a vida e seus incômodos que me tornam tão dependente dEle. Pensei no que me aguarda, um futuro sem medo e dor. Num estalo de razão minha vida ganhou emoção! Lavei meus olhos e olhei novamente para fora. Encontrei a tristeza, e nela um presente; alguns sorrindo sem nem saber ao certo o que estavam comemorando, outros chorando com tantas bençãos ao redor. Decidi desembrulhar o presente da tristeza, ganhei sensibilidade e coragem; abri a embalagem do sorriso, e vi a alegria verdadeira que nunca murcha e nem se desfaz. Olhei nos olhos das crianças e em suas ações a riqueza do perdão. Um desentendimento, mas a vontade de estar junto e continuar a brincar é maior. E depois o abraço dos amigos, e o ocorrido já esquecido.

Sabe-se do peso desta vida, mas também conhece-se quem os meus fardos quer levar. Ele liberta do medo, da visão opaca da existência, faz ganhar cor e sabor até o mais imprevisível. Ele renova minhas esperanças trazendo à minha memória a certeza do perfeito porvir! Este é o Senhor dos meus dias!

Escrito por Letícia Ishy - 2013

Se você curtiu, clique em gostei aí embaixo! 
Ah, e eu também vou amar seu comentário!